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Físicos médicos tiram dúvidas sobre o tratamento de radioterapia

Esq-dir: André Kiister Leon, Priscila Gerdi Fortuna, Glauber Tebaldi, Menelau Yacovenco Aguiropulo, equipe de físicos do IRV

 

A radioterapia é um dos três tratamentos com eficácia comprovada utilizados na luta contra o câncer, ao lado da cirurgia e da quimioterapia. Realizada num equipamento chamado acelerador linear, ela é usada para destruir células doentes, além de controlar dores e sangramentos. Mas a radioterapia pode causar efeitos colaterais ou queda de cabelo? Existe o risco de radioativo? A pessoa em tratamento pode abraçar os familiares depois do tratamento? Pode fazer sexo?

Os físicos médicos André Kiister, Glauber Tebaldi, Menelau Arguiropulo e Priscila Gerde, do Instituto de Radioterapia Vitória (IRV), esclarecem essas e outras dúvidas relacionadas ao tratamento. 

O trabalho dos físicos médicos é extremamente importante para que cada paciente receba a dose exata de radiação no combate ao tumor. Eles são profissionais altamente capacitados que, além de Física, possuem conhecimentos em Medicina, Biologia, Matemática e Tecnologia, pois lidam com softwares complexos e algoritmos para captura e tratamento de imagens com definições de alto padrão. 

O que é radioterapia? 

Glauber Tebaldi – A radioterapia é uma forma de tratamento que usa a radiação para destruir o tumor. Isso acontece sempre de forma personalizada, uma vez que tem como base uma tomografia computadorizada que fornece informações do tamanho das lesões e a posição dos órgãos vitais próximos a elas. 

Como funciona a sessão de radioterapia? 

André Kiister – A sessão de radioterapia tem duração média entre 10 e 20 minutos. Durante esse tempo, o paciente fica posicionado em uma máquina chamada acelerador linear. A radiação é aplicada de forma localizada na região da doença a ser tratada. Ao término da sessão, o paciente pode ir para sua casa tranquilamente, sem risco de contaminação. 

Quais são as funções do físico médico? 

André Kiister – As três principais frentes de ação do físico médico são a dosimetria clínica, controle de qualidade e o programa de gestão de risco. Na dosimetria clínica, nós somos os responsáveis em calcular a dose de radiação que o paciente vai receber. Na frente do controle de qualidade, cuidamos da máquina, do acelerador linear, para que ele entregue a radiação calculada. E na frente de controle de risco, são todos os riscos inerentes a erros ou processos e também riscos envolvidos à utilização da radiação. 

Qual a diferença entre radioterapia e quimioterapia?

Priscila Gerde – Tanto a quimioterapia quanto a radioterapia têm como foco matar as células cancerígenas. A quimioterapia usa drogas chamadas de quimioterápicos, que são aplicadas no paciente (por via intravenosa ou oral) e vão matar o tumor, agindo no corpo inteiro. Por isso dizemos que a quimioterapia é um tratamento sistêmico, pois os efeitos colaterais são muito intensos e envolvem o paciente como um todo, como queda de cabelo e náuseas. 

Já a radioterapia busca erradicar o tumor com o uso da radiação ionizante. E, diferente da quimioterapia, é um tratamento totalmente localizado. 

Assim, os efeitos colaterais só vão aparecer na região que incide o feixe de radiação. Dependendo da dose administrada, só vai cair cabelo nos pacientes que estiverem tratando a cabeça. E só vão cair justamente os cabelos da área irradiada. 

A pessoa corre o risco de ficar radioativa quando faz radioterapia?

Menelau Arguiropulo – Não, não fica radioativa. Vamos comparar, por exemplo, uma pessoa que vai à praia e fica deitada por 1 hora ao sol do meio-dia. Quando ela volta para casa, não fica brilhando. Tanto a energia do sol quanto a do raio X usada em radioterapia não têm elementos radioativos. É pura. A diferença é que o raio X usado no tratamento tem energia muito alta e capacidade de atravessar os tecidos e de destruir as células malignas, ao contrário da solar que recebemos na praia. Tanto o raio X quanto a energia solar e até mesmo uma simples lâmpada emitem ondas eletromagnéticas. A diferença está na potência de cada uma delas. 

A radioterapia pode afetar a fertilidade? 

Glauber Tebaldi – Pode sim. Dependendo da quantidade de radiação que atinge as gônadas (glândulas produtoras de hormônios sexuais e gametas) durante o tratamento, pode gerar infertilidade. 

Depois da sessão de radioterapia, o paciente pode abraçar os familiares, mesmo estando em período de pandemia?

Glauber Tebaldi – Pode abraçar, sim. O paciente volta para casa todos os dias. Convive com a família normalmente. Claro que há uma quebra

do isolamento quando o paciente sai para fazer a sessão, mas desconheço alguma orientação a respeito de um isolamento maior. 

A pessoa em tratamento pode fazer sexo? 

Menelau Arguiropulo – Sim. A pessoa em tratamento de radioterapia pode levar uma vida completamente normal, dentro das suas possibilidades físicas. Essa pessoa não é contaminada, não emite radiação e pode ter relações sexuais. 

A radioterapia pode ser administrada simultaneamente a outros tratamentos? 

Priscila Gerde – Sim. O cuidado com o câncer é multidisciplinar, que envolve principalmente o cirurgião oncológico, o oncologista clínico e o radioterapeuta. A conduta médica e o tipo de tratamento vai depender de cada caso individualmente, dependendo do tipo e do estágio do tumor.