Pandemia reduz pela metade diagnósticos e tratamentos de câncer

Problema atinge setor público e privado e decorre do medo dos pacientes de serem contaminados pelo novo coronavírus. Situação preocupa médicos que alertam para complicações das doenças, que podem matar

Dra Anne Kiister Leon, médica do IRV

 

O medo de serem contaminados pelo novo coronavírus tem afastado os pacientes dos consultórios médicos, o que acabou reduzindo a procura por exames de diagnóstico e tratamentos de câncer. Um centro especializado de tratamento da doença em Vitória registrou queda de quase 50% no volume de atendimentos de novos pacientes desde o início da quarentena. Uma situação diversa do setor público, onde pacientes relatam que estão ficando sem assistência em decorrência da suspensão dos serviços em ambulatórios e serviços de saúde.

Segundo Anne Karina Kiister Leon, radio-oncologista do Instituto de Radioterapia Vitória (IRV), a procura por exames de diagnóstico e tratamentos de câncer teve uma redução de mais de 45% no número de pacientes em início de tratamento durante a pandemia. A médica observa que o diagnóstico não precoce limita as chances de tratamento curativo ou outras intervenções. Ela destaca que os cuidados oncológicos não podem parar ou serem postergados, uma vez que a doença é crônica e pode até matar.

O risco de adiar o início do tratamento é ele se tornar mais difícil para a pessoa, pois o tumor pode ficar maior. A orientação é o paciente receber todos os cuidados oncológicos e continuar sua investigação, seus exames de seguimento, sem se esquecer da prevenção à Covid-19”, orienta.

Ela relata que no início da pandemia a orientação era para que estes pacientes, que são de grupos de risco, deveriam buscar atendimentos em casos extremos. Com isto, muitos foram deixando de fazer exames de rotina e até para sintomas menos agressivos, o que tem feito com que caia o número de diagnósticos precoces de câncer.

O perigo nestes casos, observa a médica, é o avanço e a gravidade dos tumores. “Ao não procurar o médico, a doença vai crescendo e quando vai em busca de atendimento, vai depender de cirurgias de urgência ou porque teve um sangramento”, explica ao citar como exemplo o melanoma, que é muito agressivo. “Ele, a princípio, não dói, mas se não vai no dermatologista fazer a biópsia e não sabe o que é, corre sérios riscos. É um câncer extremamente agressivo e mata muito rápido”, alerta Anne. 

 

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